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Joana campista surfando

FAZER PRANCHAS PRA QUEM QUER SE DIVERTIR: A MISSÃO DE JOANNA CAMPISTA, UMA DAS POUCAS MULHERES SHAPERS DO MUNDO

No embalo das reivindicações de março, mês da mulher, a produtora audiovisual acaba de lançar a marca Indie Happy Boards, abrindo espaço em um terreno que ainda é dominado pelos homens. De quebra, ela nos deu dicas para uma surftrip de long na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte.

 

Ao mapear a presença feminina no surf para o programa Maré das Marias, do Canal Off, a produtora audiovisual Joanna Campista (@joannacampista) se deu conta de que ainda havia um território pouquíssimo explorado pelas mulheres dentro desse universo. “Topei com muitas profissionais atuando em quase todos os setores relacionados ao esporte, mas só encontrei uma shaper na ativa no Brasil”, diz, fazendo referência à paranaense Davenia Ferraz.

 

Fabricando pranchas há 17 anos, ela foi a primeira brasileira a adotar uma profissão que ainda é quase exclusivamente masculina e serviu de inspiração a Joanna. “Supostamente, esse trabalho pode parecer pouco convidativo para nós, já que envolve lidar com cheiros fortes e viver suja de pó, mas foi justamente isso que me desafiou a tentar”, diz Joanna. “Sempre tive vontade de produzir alguma coisa artesanal e pensei: por que não?” No embalo das reivindicações de março, mês da mulher, a niteroiense radicada na cidade do Rio de Janeiro acaba de lançar a Indie Happy Boards (@indiehappyboards).

 

Fotos: Rafael Guedes

 

Joanna faz as pranchas da sua marca nas instalações da First Glass, onde é a única mulher entre 20 homens. “Tinha receio de como seria recebida nesse setor, tanto pelo público como dentro da fábrica, mas fui acolhida de braços abertos pelos outros shapers e todo mundo parece estar disposto a me ensinar”, diz.

 

Assumir a nova profissão é mais um passo da produtora na direção de um lifestyle que gira em torno do mar. “Desde que comecei a pegar onda, em 2013, o surf entrou na minha vida de uma maneira muito forte, tanto profissionalmente, quanto como lifestyle”, conta Joanna. Junto com as primeiras marolas vieram os primeiros jobs de edição, em programas como o Brazilian Storm e o 9 Pés, do Canal Off. Depois, ela migrou para a área de produção, abraçando a série Por Elas.

 

Dentro da água, seu relacionamento com as ondas também foi ficando mais sério com o tempo. “Até 2019, surfava de pranchinha e me dei conta de que estava me cobrando muita performance, esquecendo o lado da diversão, que é o meu real propósito no mar”, diz. E foi experimentando pranchas maiores, como o longboard, que ela teve um insight. “Notei que existia uma carência de pessoas que fizessem pranchas só pra diversão e que deixassem isso explícito”, diz a shaper. “O grande propósito da Indie é que o equipamento sirva pra você ser feliz e tentar coisas novas.

 

A partir daí, quero propagar a ideia de que não é preciso provar nada pra ninguém dentro da água”. Segundo Joanna, evoluir no surf não tem a ver com performance. É sobre se sentir confortável. “Não precisa dominar uma prancha fininha, dar um aéreo, pegar um supertubo. O surf é o que você quiser. Divirta-se!”.

 

 

Pra ficar mais perto da praia, Joanna morou um ano na Costa Rica e passou uma temporada em Portugal. Entre uma coisa e outra, viajou pelo mundo pra pegar onda. Com as fronteiras fechadas, no entanto, a shaper aproveitou os últimos meses pra fazer algumas surf trips pelo Brasil. “Com a pandemia, foquei em viagens nacionais, descobri lugares incríveis e me liguei que precisamos dar mais valor ao que a gente tem”, diz Joanna, que fez uma surf trip recente para a Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte.

 

Aqui, ela dá as dicas pra você se inspirar agora e viajar quando for seguro novamente:

 

 

ANYWHERE OFFICE NA PIPA
“Como costumo viajar o tempo todo, nunca tenho muito dinheiro pra gastar. Então, tento fazer isso de um jeito diferente e econômico. Sempre dou preferência a alugar casas porque, além de custar menos que hotel, me dá mais privacidade pra trabalhar no modo anywhere office. Como sou vegetariana, e os restaurantes vegetarianos (quando existem) geralmente são caros, gosto de fazer a minha comida. Também é um jeito mais seguro de viajar na pandemia, porque você não interage com muita gente e não precisa frequentar tantos restaurantes, o que faz com que você fique muito mais exposto”. Na Pipa, Joanna alugou uma casa no condomínio Bosque da Praia, afastado do centro, mas perto da Praia do Madeiro, ideal pra surfar de longboard. “É um lugar tranquilo, seguro, com piscina e uma trilha por dentro da reserva com acesso à praia”, diz.

 

COMO SE LOCOMOVER NA PRAIA DA PIPA

 

“É importante ter um carro pra se locomover, principalmente se ficar afastado do vilarejo”, diz. Vale lembrar, no entanto, que é roubada entrar e sair do centrinho de carro, já que as ruas são estreitas e congestionadas, com pouquíssimo lugar pra estacionar”.

 

 

ESCOLA DE SURF E GUARDERIA DE PRANCHAS NA PRAIA DO MADEIRO

 

Subir e descer a escadaria que leva até a Praia do Madeiro carregando um longboard não é mole. Pra quem vai ficar vários dias, ela recomenda deixar ou alugar equipamento na escolinha da surfista e coach Ely Golfinha (@surfspots_elygolfinha).

 

BATE E VOLTA PRA BAÍA FORMOSA

 

No último dia da viagem, Joanna fez um bate e volta pra Baía Formosa, 60km ao sul da Pipa, pra surfar no Portinho, o melhor pico da região pra longboard. “É uma onda incrivelmente longa, com um visual sensacional, com dunas e coqueiros ao fundo. Como é um porto, você passa surfando entre os barquinhos de pescadores. São ondas calmas, muito boas pra treinar o footwork, pensar e desacelerar, que é a pegada do longboard”, diz. Pra comer por lá, ela recomenda o Quiosque do Magal. “Tem peixe fresco, cerveja gelada e bom papo”. No caminho de volta à Pipa, vale parar pra comprar camarão, fresco e barato.

 

 

O QUE FAZER QUANDO NÃO ROLA ONDA NA PIPA

 

Quando não rola surf, Joanna recomenda fazer um passeio de Land Rover com os irmãos Rodolfo e Vinicius Maciulaitis (@rodolfomaciulaitis). “O roteiro passa por falésias, piscinas naturais e dunas, e eles vão dando várias informações legais, com as melhores músicas no carro e um cooler pra levarmos as nossas long necks Corona”, diz.

 

 

ONDE COMER NA PIPA

 

"Curto muito o Taipa Brasil (@taipabrasilpipa), que tem uns pratos executivos muito bons com opções vegetarianas, bom preço e cerveja muito gelada", diz. Já no dia do seu aniversário, Joanna jantou no Tal do Escondidinho (@otaldoescondidinho), que serve comida nordestina em um ambiente inspirado na história do cangaço. “Adorei a coxinha com fibra de caju, o dadinho de tapioca e o aipim frito”.