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NA BARRA DO UNA, O DIA A DIA DO EXECUTIVO FERNANDO COMBINA MUITO TRABALHO COM MERGULHOS NO MAR, TREINOS DE TRIATHLON E BRINCADEIRAS COM AS FILHAS

Responsável pelas renovações de contrato da Rimini Street, Fernando Flumian trocou São Paulo pela prainha no litoral norte e entendeu que o home office parcial pode ser o melhor caminho para todo mundo.

 

Fernando Flumian, 37 anos, nasceu e cresceu em uma cidadezinha de 15 mil habitantes no interior de São Paulo, onde parte de sua família materna ainda mora, longe demais do mar e da atmosfera inerente à vida praiana. Mas há quase vinte anos vivendo na capital, quando a pandemia estourou no Brasil e foi preciso fazer o isolamento social, Fernando não hesitou muito em escolher como refúgio imediato a casa de praia que há algumas temporadas aluga com a família da esposa e com as duas filhas pequenas na Barra do Una, praia de São Sebastião, no litoral norte paulista.

 

"Quando a quarentena foi decretada pelos governos, empresas de um modo geral e pelas escolas, a gente teve a certeza de que a casa no litoral seria o lugar ideal não só pela qualidade de vida que eu e minha esposa poderíamos ter, mas, principalmente, por conta das crianças", diz. "Elas têm mais liberdade e podem usufruir de um espaço maior do que o de um apartamento. Como as aulas continuaram de maneira remota, só foi preciso dar um upgrade no plano de internet para que também pudéssemos manter as condições necessárias para trabalhar". 

 

O publicitário e executivo Fernando Flumian: treino para Ironman entre reuniões no Zoom | Créditos: arquivo pessoal

 

Formado em publicidade, com passagens por empresas como Oracle, Nextel e Samsung, sempre em cargos relacionados à tecnologia, Fernando atualmente é Head de Vendas e responsável pelas renovações de contrato de clientes da Rimini Street, multinacional que oferece serviços de suporte para software corporativo. Desde março do ano passado, seu escritório se resume a uma mesinha e uma cadeira de plástico posicionadas no sótão do terceiro andar da casa. Em vez do horizonte tomado pelos imensos prédios da Vila Olímpia ou pelas torres do Shopping JK Iguatemi, sede da empresa, a vista da piscina do condomínio rodeada por um gramado bem verde e, ao fundo, o mar que, em dias sem nuvens, se confunde com o céu numa olhada rápida. Ao invés dos restaurantes da praça de alimentação do shopping, um delivery precioso com frutos do mar fresquinhos e os melhores peixes do dia. No lugar dos acessórios de trabalho dos colegas de empresa, a bagunça de folhas soltas com desenhos e tarefas escolares das filhas. 

 

"A rotina ficou mais flexível, mas o dia e a jornada de trabalho ficaram mais extensos", reflete. "Flexível no sentido de você poder estar em ‘casa’, em contato com a natureza, respirando um ar puro e tendo a chance de, numa pausa no expediente, dar um pulo no mar e voltar para participar de uma sequência de reuniões. Num momento de reclusão como o que vivemos, isso tudo faz muita diferença", conta. "Mais extensos porque, por mais que seja remoto, é preciso estar conectado ao trabalho o tempo todo, e esse tempo inclui a demanda dos filhos e os afazeres da casa. No começo não foi fácil, mas essa nova rotina teria sido muito mais difícil e estressante se fosse em uma cidade grande".

 

Work with a view: "num momento de reclusão como o que vivemos, isso tudo faz muita diferença", diz

 

Outro fator essencial na adaptação de Fernando à nova vida foi manter a rotina de atividades físicas pelas manhãs, seja correndo (em média, 12 km), pedalando (50 km) ou nadando (3 km), algo que faz desde 2009 quando começou a treinar para competições de triathlon como o Ironman, do qual participou três vezes. A ciclovia da Marginal Pinheiros deu lugar a trechos da Rodovia Rio-Santos e por estradinhas de terra que cortam o Sertão do Una, no pé da Serra do Mar, passando por pássaros de diferentes espécies, macacos, cachoeiras e nascentes de rios com águas cristalinas em meio à Mata Atlântica.

 

"É legal perceber que é factível as pessoas trabalharem de um lugar que não seja o ‘oficial’ em prol de uma melhor qualidade de vida e que muitas empresas já estão aderindo ao modelo de home office, que se solidificou", diz. A seu ver, o segredo para o anywhere office é disciplina e organização para seguir uma agenda bem definida, inclusive em relação a atividades pessoais — ainda que veja o processo como benéfico apenas até certo ponto. "Não acredito que o modelo 100% remoto é o que a maioria das pessoas deseja. Acho que existe uma questão de necessidade do ser humano de estar em contato com o outro, principalmente nós, latinos, que gostamos disso. Sendo de área comercial, é fundamental para mim estar frente a frente com os clientes, interagindo com mais profundidade.

 

O ideal seria o meio termo: os funcionários poderem decidir junto às empresas quando trabalham presencialmente e os dias que farão o serviço a partir de outro lugar. Todos sairiam ganhando".

 

 

Na esfera pessoal, o período pandêmico e a vivência como um quase local também deixaram marcas. "Crescer em uma cidade pequena é diferente de crescer em uma cidade grande onde se tem acesso a muito mais coisas. Então, a experiência aqui me reconectou à muita coisa do passado, da minha infância e à ideia de que de uma forma simples dá para ter uma vida muito boa e conciliar tudo: trabalho, família, as práticas individuais. Foi interessante poder sentir um pouco disso novamente."