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NO LITORAL BAIANO, A ROTINA DE TAMILA KROLLMANN INCLUI UMA BARRACA DE PRAIA COMO ESCRITÓRIO

Em sua primeira experiência de anywhere office, a analista de TI trocou Brasília por Porto Seguro e Arraial d’Ajuda e não vê muito sentido em voltar para o trabalho presencial.

 

No começo de dezembro, quando rolou o primeiro papo que daria origem a esta reportagem, a analista de tecnologia da informação Tamila Krollmann, 37 anos, de Brasília, contou que desde outubro estava morando na orla de Porto Seguro, na Bahia. No contato seguinte, pouco mais de uma semana depois, estava em Caraíva, um dos destinos mais procurados do litoral baiano. Disse que topava participar mas perguntou se poderia responder dentro de alguns dias, porque estava de mudança para Arraial d’Ajuda — além disso, andava ocupada com o trabalho no banco, mais especificamente com os testes de software que fazem parte de seu expediente, ao qual se dedicou normalmente durante todo o período da troca de mensagens. “O modelo de trabalho da empresa é presencial, mas, para a minha sorte, fui contratada no meio da pandemia, já num regime de home office no qual eu nunca tinha trabalhado. Sabendo que esse esquema pode acabar a qualquer momento, pensei: por que não aproveitar a oportunidade do trabalho remoto para viver em um lugar com o qual eu me identifique mais, onde me sinta melhor, perto da natureza e do mar, que eu amo?”, conta. 

 

A rotina profissional de Tamila é a epítome do anywhere office: em um mês, Porto Seguro, Caraíva e, agora, Arraial D'Ajuda

 

A conexão com a natureza vem desde as trilhas que costuma fazer para as diversas cachoeiras ao redor de Brasília e da prática de stand-up paddle no Lago Paranoá, um dos cartões-postais da capital. Já o perfil nômade foi bastante lapidado no período sabático que tirou entre outubro de 2018 e janeiro do ano passado, quando viajou pela África do Sul, Zâmbia e Tanzânia, onde participou de um projeto social, e por países asiáticos como Tailândia, Camboja, Laos, Vietnã, Nepal e Índia, este último sua casa durante sete meses. “A escolha pela Bahia como o lugar para fazer o home office foi fácil. Já tinha viajado uma vez pelo litoral e virou o meu lugar preferido do Nordeste.

 

O filtro era ser uma cidade pequena e ter uma boa internet”, lembra. Em Porto Seguro, alugou uma kitnet na praia de Taperapuan, a 10 minutos de caminhada do mar. Fora do expediente, gostava de bater perna pelo centro histórico da cidade e ver o pôr do sol na beira do rio Buranhém. Aos finais de semana, costumava ir ao vilarejo de Santo André, em Santa Cruz de Cabrália, apreciar o encontro do rio com o mar e a cocada da Lete, a melhor que já provou (recomenda muito!). Agora em Arraial, o seu lugar de bater ponto é Taipe, uma praia de natureza bem preservada e falésias que roubam a cena. Em breve, a ideia é fazer um curso básico de mergulho na região, um desejo antigo que em Brasília perdia força.

 

Créditos: arquivo pessoal

 

“O único lado negativo desse meu anywhere office é a distância dos amigos e familiares, o resto é só benefícios. A começar pelo tempo ganho em não ter que me deslocar e ficar parada no trânsito, seja de carro ou de ônibus, e os gastos de transporte. Também me permite substituir a roupa social pela roupa que quiser, inclusive o pijama. De quebra, posso trabalhar de qualquer lugar”, diz, lembrando o episódio em que levou o notebook para uma barraca de praia com boa estrutura. “Às vezes, acordo cedinho e dou um mergulho, ou corro para o mar no horário de almoço, volto e sigo o expediente. Isso contribui para o meu bem estar e, consequentemente, para a minha produtividade no trabalho”. 

 

Um dia desses, durante uma apresentação para a gestora do banco, Tamila estava com a tela de seu notebook compartilhada e a internet caiu. Ao tentar se reconectar, o nome do wi-fi, Pousada Beira Mar, chamou a atenção dos colegas, todos em Brasília, que caíram na risada. “Há rumores de que a empresa adote um modelo híbrido, com a gente tendo que trabalhar presencialmente duas vezes por semana. Entendo que tem uma importância para a integração do time, mas não vejo a necessidade, acho que uma reunião quinzenal ou mensal resolveria”, diz. “Se for assim, não conseguiria continuar vivendo na praia, mas poderia morar no entorno de Brasília em um lugar mais tranquilo, que me permita seguir em contato com a natureza, como a Chapada dos Veadeiros ou Pirenópolis. De qualquer forma, vou tentar negociar para seguir 100% no esquema anywhere office. Não custa, né?”.