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PEDALADAS COM OS FILHOS À BEIRA-MAR, REUNIÕES DE SUNGA E CAIAQUE AO ENTARDECER: A NOVA VIDA DO FOTÓGRAFO RODRIGO MARCONDES EM ILHABELA TEM UM GOSTINHO DE RECONEXÃO COM A NATUREZA

Ele deixou o apartamento em São Paulo e encontrou no litoral norte o cenário ideal para fazer seu anywhere office, aproveitar a família e, de quebra, encontrar um tempo precioso para si mesmo.

 

Por muito tempo, ficar em casa não era lá muito uma opção para Rodrigo Marcondes, 41 anos. Fosse pelo tesão em viajar e explorar o que há além da vizinhança, ou pela profissão: diretor de audiovisual e fotógrafo colaborador de veículos como Folha de S. Paulo, Editora Trip e MTV Brasil, rodou boa parte do Brasil e se aventurou em outros continentes, sobretudo pela Europa, onde viveu em duas ocasiões. Entre 2005 e 2008, trabalhou como bartender e fez assistência de fotografia de moda em Londres; de 2010 a 2012, fez um master em fotografia documental em Roterdã, na Holanda, e morou na Antuérpia, na Bélgica.

 

Com a pandemia, não viajou mais, a não ser em agosto para migrar de São Paulo, onde nasceu, para Ilhabela, no litoral paulista, cidade em que passou toda a sua adolescência e ainda vive parte de sua família. "São Paulo já era um lugar difícil para se viver com filhos em um apartamento. Na pandemia a dinâmica se mostrou inviável", diz. Por sorte, nesse meio tempo, o termo "casa" acabou ganhando um novo sentido. "Existe um sentimento de 'voltar pra casa', sim, e de reconexão com coisas do passado, mas não de uma forma nostálgica. De quebra, existe a praia, o mar e o ritmo da cidade menor. Tenho gostado bastante dessa nova vida", diz.

 

 

A nova vida envolve mais do que substituir a produção in loco, as reuniões presenciais e as diárias em estúdio pelo trabalho remoto, processo que antes não acreditava ser possível fazer trabalhando com audiovisual à frente da sua produtora, a Garapa. A vida, agora, tem sunga como outfit para reunião, vista para o mar e para o morro de Baepí, um dos cenários mais bonitos da ilha, e um escritório melhor do que o da casa anterior, com uma mesa de madeira enorme feita pelo próprio Rodrigo no novo quintal, tendo como testemunhas Ian, 6 anos, e Martina, de nove meses. "Tenho uma reunião diária às 10h.

 

O resto do dia toco os projetos com a equipe, do escritório boa parte do tempo, e pelo celular quando saio do escritório. Aí, fico cuidando da casa e das crianças tudo ao mesmo tempo, fazendo comida, limpeza, atendendo campainha, chorando no banheiro, atendendo telefone, matando mosquito com a raquete, passando repelente nas crianças cem vezes por dia”, conta Rodrigo, que divide tudo isso com a companheira, a diretora de arte e designer gráfica Milena Galli. 

 

"A pandemia nos permitiu aprender que somos maleáveis e leve", diz Rodrigo | Créditos: arquivo pessoal

 

Se antes, para espairecer, o fotógrafo ia para o parque com o filho dar um rolê, hoje vai para ciclovia à beira-mar. Se antes ia para academia do prédio, agora vai andar de canoa partindo da praia do Perequê. Remar, aliás, tem funcionado como o momento de refúgio, de tirar um tempo para olhar para si, por uma horinha que seja.

 

Quando o mar está calmo e faz um dia bonito, consegue se afastar do resto do mundo e se conectar com a natureza e consigo mesmo de uma maneira que não fazia há muitos anos. "Acho que a pandemia escancarou uma questão difícil que é aceitar o fato de não termos controle sobre nossas vidas", reflete. "Por outro lado, nos permitiu aprender que somos maleáveis e leves. Que, apesar de termos dois filhos e um monte de responsabilidades, somos capazes de nos movimentar pela vida com rapidez e fluidez, sem desestruturar nossa família".