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MORANDO EM UM BANGALÔ FEITO DE BAMBU EM PLENA MATA ATLÂNTICA, O ANYWHERE OFFICE DO ECONOMISTA CARIOCA ARTHUR ESTEVES É GUIADO PELA PREVISÃO DAS ONDAS

Gestor de ativos intangíveis da Vox Capital, Arthur Esteves deixou São Paulo durante a pandemia e se isolou em um sítio entre Ubatuba e Paraty em busca de sossego e autoconhecimento.

 

Desde junho morando em um bangalô construído com bambu em um sítio entre Ubatuba e Paraty, uma das atividades diárias do carioca Arthur Esteves, 27 anos, é ler a previsão do clima e das ondas do dia seguinte. Em um dia solar, costuma acordar por volta das 6h. Se há ondas, vai surfar; do contrário, aproveita para correr — isso até umas 8h. Ao voltar para o lar temporário, toma café da manhã, trabalha das 9h ao meio-dia e pouquinho, prepara seu almoço, come, dá uma relaxada, e retoma o trabalho das 14h às 18h. "Se a manhã é de chuva, adianto parte do serviço nesse período para poder, talvez, pegar o pôr do sol na praia e dar um mergulho no fim do dia. Se é à tarde que o tempo vai fechar, me estendo um pouco mais na praia pela manhã e depois trabalho até à noite", conta Arthur, que também tem os seus momentos de alimentar os cachorros e as galinhas do lugar.

 

Gestor de ativos intangíveis da Vox Capital, fundo de investimentos voltado para negócios de impacto social, Arthur aproveitou o fim do contrato de aluguel de seu apartamento em São Paulo para, literalmente, se mandar para o meio do mato. Familiarizado com as ondas e com a beleza da região de Itamambuca, no litoral norte paulista, foi subindo a costa até a altura da praia de Ubatumirim, onde encontrou o espaço concebido todo de maneira sustentável, em um sítio chamado Floresta Cambucá (@sitio.florestacambuca). Seu novo escritório, que também faz às vezes de sala de jantar, tem uma vista de 360 graus da Mata Atlântica e som ambiente orquestrado pelos grilos, sobretudo à noite.

 

 

O bangalô de bambu no sítio Floresta Cambucá, entre Ubatuba e Paraty: no meio do mato mas perto da praia | Créditos: arquivo pessoal

 

"A nova rotina intensificou a minha produtividade. Enquanto estou trabalhando, me sinto mais focado e realmente muito presente naquele momento. Ao mesmo tempo, a sensação também é de estar inteiramente presente nos momentos de lazer; não fico mais atormentado pensando no trabalho. É como se eu desse tempo ao tempo e a mim mesmo", diz. "A mudança valeu muito a pena". Os benefícios da nova vida também acabaram se refletindo no corpo.

 

Para além do exercício diário exigido no surf, Arthur perdeu peso e deu um tempo tanto nas bebidas alcoólicas quanto em qualquer tipo de remédio. A forma física se mostra uma grande aliada na hora de ir para o seu lugar preferido na região, a praia Brava do Camburi, perto da divisa com o Rio de Janeiro. Mais do que boas ondas, preserva uma brisa de natureza pura e a beleza dos cenários quase intocados pelo homem ao qual só se chega por meio de uma trilha íngreme morro abaixo. Se o propósito inicial da mudança de ares era poder usar de maneira mais proveitosa o seu tempo até que o planeta entendesse melhor como lidar com a nova realidade imposta pela pandemia, foi o entendimento de seu mundo interno que se mostrou, inevitavelmente, um grande passatempo.

 

O economista Arthur Esteves: "a nova rotina intensificou a minha produtividade"

 

"A experiência proporciona uma oportunidade rara na vida que é a de se conhecer. Como é um lugar isolado, o silêncio realmente te provoca a conversar consigo mesmo, entender o que gosta e o que não gosta, o que é essencial na sua vida e o que não é", diz. "Volto com muitas reflexões ricas sobre o que quero para o meu futuro baseado no que fiz no passado e no meu estado mental de hoje. Uma delas é sobre ter a liberdade de exercer meu trabalho de onde eu quiser".